terça-feira, 19 de abril de 2011

Os 10 Melhores de Woody


Ultimamente, tenho estado numa febre de filmes do Woody Allen. Ate agora, são vinte e e um filmes assistidos e o recorde de filmes por diretor. Como já vi metade da obra dele - o coroa dirigiu 41 -, tive a ideia de fazer uma lista dos Dez Melhores Filmes de sua autoria. Vamos à ela:

1º - Noivo Neurótico, Noive Nervosa (Annie Hall, 1977)
2º - Hannah e Suas Irmãs (Hannah And Her Sisters, 1986)
3º - Manhattan (Manhattan, 1979)
4º - Crimes e Pecados (Crimes And Misdemeanors, 1989)
5º - A Rosa Púrpura do Cairo (The Purple Rose Of Cairo, 1985)
6º - A Era do Rádio (Radio Days, 1987)
7º - O Dorminhoco (The Sleeper, 1973)
8º - Maridos e Esposas (Husbands And Wifes, 1992)
9º - A Última Noite de Boris Grushenko (Love And Death, 1975)
10º - Zelig (Zelig, 1983)

Para o primeiro lugar, a escolha foi fácil, pois acho "Annie Hall" o melhor disparado. Além de ser o filme mais fantástico do Allen, foi este o divisor de águas entre o diretor de comédias pastelões de antes e o outro que surgia, preocupado em ainda fazer comédias, mas sem ser pastelões e com um toque a mais de genialidade. Deixei outros filmes ótimos de fora, como "Match Point" e "Broadway Danny Rose". Entretanto, como a lista é de apenas dez filmes, tive que fazer sacrifícios, mesmo que com o coração apertado, rs.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

E continua o legado da "Donzela"


Com o lançamento de "Iron Maiden", em 1980, o Maiden recebeu bons elogios e resolveu partir para o estúdio e fazer um novo álbum no ano seguinte. Para tal empreitada, entra na banda o guitarrista Adrian Smith. Com ele, forma-se um dos duetos de guitarristas mais completos da história do rock. A velocidade de Murray misturada ao estilo mais blues-experimental de Smith resultou num som mais interessante que o anterior. E o resultado foi o ótimo álbum "Killers".

Este é um dos mais memoráveis álbuns da Donzela. Nele, estão clássicos como "Wrathchild", "Murders In The Rue Morgue" e a homônima "Killers". Além dessas, existem ótimas composições como "Another Life", "Purgatory" e a instrumental "Genghis Khan". Uma música muito interessante é a "Prodigal Song", onde se imprime um ritmo menos veloz e mais progressivo.

Mais pesado e mais inspirado que o anterior, "Killers" é um marco na história do Heavy Metal. Neste álbum ainda se vê um pouco da mistura punk + heavy metal que permeava a banda - a influência do punk devido e muito ao vocalista Di'anno. Sem um estilo de composição definido, "Killers" soou como uma preparação para o clássico absoluto da Donzela, "The Number Of The Beast". "Killers" também marca a saída de Paul Di'anno, devido a abusos de drogas e também pelo fato dos outros integrantes procurarem um vocalista de maior alcance.

Subestimado e até desconhecido por muitos, "Killers", mesmo com um Maiden meio indefinido, ensina - e muito bem! - a como se fazer um heavy metal de qualidade!



Álbum: Killers

Banda: Iron Maiden

Ano: 1981

Integrantes: Steve Harris, Dave Murray, Paul Di'anno, Clive Burr e Adrian Smith.

Duração: 43:52

Músicas:

  1. "The Ides of March" – 1:46
  2. "Wrathchild" – 2:54
  3. "Murders in the Rue Morgue" – 4:18
  4. "Another Life" – 3:22
  5. "Genghis Khan" – 3:06
  6. "Innocent Exile" – 3:53
  7. "Killers" – 5:01
  8. "Prodigal Son" – 6:11
  9. "Purgatory" – 3:20
  10. "Drifter" - 4:48

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Filmes de Drama Para Se Ver Antes de Morrer - Década de 70


Laranja Mecânica (1971) - 137 min – Cor – Stanley Kubrick – O que falar desse filme? Existe tanta coisa para falar dele - que é meu filme preferido - que não se por onde começar. A história de Alex e seus "drugues", que espancam de mendigos a mulheres, apenas por diversão, é uma das mais comentadas e apedrejadas da história do cinema. Kubrick, após muitas críticas de

que seu filme apresentava violência gratuita, res
pondeu dessa forma: “Tom e Jerry também é violento, mas ninguém reclama”. “A Clockwork
Orange” choca a qualquer um que o assista. A alguns, pela violência; desse grupo eu não estou incluído. A outros, pela perfeição com que um
diretor faz um filme. Aliás, não se parece com um filme, mas como uma sinfonia, a nona, de Bethoveen, que vai fluindo aos poucos, até chegar ao seu final. Dizer que “Laranja Mecânica” é perfeito é redundância e clichê. Mesmo assim, eu digo: “A Clockwork Orange” é um filme perfeito, um dos melhores filmes já feito na história do cinema – quiçá o melhor.

O Poderoso Chefão (1972) - 175 min – Cor – Francis Ford Coppola – Este é um dos pouquíssimos filmes que conseguem agradar a gregos e troianos, ou seja, àqueles exigentes e os não-exigentes. Aos primeiros, pela extrema técnica que o ítalo-americano Coppola dirige o seu filme; aos segundos, pelo fato de se apresentar tão bem artisticamente uma história brilhante sobre a máfia italiana, neste que é considerado um dos melhores filmes da história. Com um dos melhores elencos de todos os tempos, que inclui o superastro Marlom Brando em um de seus papeis mais marcantes, o ainda iniciante Al Pacino e a bela Diane Keaton, “The Godfather” é um daqueles filmes primordiais para qualquer amante de cinema. Se o assiste, e não se gosta dele, deve-se desistir do cinema.

Gritos e Sussurros (1972) – 106 min – Cor – Ingmar Bergman – Se parecia impossível, para mim, algum filme deixar-me mais tenso que “Persona”, “Gritos e Sussurros” conseguiu. O vermelho gritante em contraste com o branco dos vestidos, as atuações, a fotografia, o cenário, tudo no filme agrada e assusta. Liv Ullmann, Harriet Andersson e Ingrid Thulin, sob a batuta do maestro Bergman, enchem o filme de tensão e tristeza. O filme é triste e assustador. Acima de tudo, uma obra-prima – mais uma! – do sueco Bergman.

O Discreto Charme da Burguesia (1972) - 105 min – Cor – Luis Buñuel – Mais uma vez dirigindo um filme em que as pessoas não conseguiam fazer o que queriam – ele já tinha feito isso em “O Anjo Exterminador” - , no caso presente, almoçar, Buñuel faz uma crítica aguçada e

cheia de humor à burguesia, explorando seus modos e modismos. Finalmente premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Buñuel, em um dos seus últimos filmes, mostrou que ainda tinha a língua e, antes de tudo, um cinema muito “afiado”.

Terra de Ninguém (1973) - 95 min – Cor - Terrence Malick

Dersu Uzala (1974) - 137 min – Cor – Akira Kurosawa

Chinatown (1974) – 131 min – Cor – Roman Polanski - Com a marcante presença do

cultuado diretor americano John Huston no papel de vilão, da bela Faye Dunaway, e claro, do talentosíssimo Jack Nicholson, Roman Polanski dirige sua obra-prima de forma brilhante, numa história cheia de suspense e ação.

O Poderoso Chefão (1975) – Parte II - 200 min – Cor – Francis Ford Coppola – Um filme que muitas vezes é dito como superior ao primeiro – ideia da qual não compartilho – a segunda parte da história da família Corleone conta agora com mais um ator fenomenal em começo de carreira: Robert De Niro. Enquanto Al Pacino continua em seu brilhante papel de Michael Corleone, De Niro interpreta Don Corleone jovem, antes de se tornar Chefão da máfia. Indo do passado ao presente com a mesma facilidade que se arranca um brinquedo de uma criança, Coppola construiu uma obra-prima a altura da pri-

meira, com o mesmo brilhantismo. Com vários cenários, desde Cuba, passando pelaItália e voltando aos EUA, Coppola conseguiu o que nenhum outro diretor fez: ganhou um Oscar por uma continuação de filme. Nada mais do que merecido.

Um Estranho do Ninho (1975) - 133 min – Cor – Milos Forman – Famoso por ter “roubado” a estatueta de “Tubarão” – e ter feito Steven Spielberg pagar um dos maiores micos da história do Oscar - , este belo filme do checo Milos Forman retrata a vida de Randle Patrick McMurphy, um vagabundo que é colocado num hospício e que, revoltado com as condições em que vivem os loucos, começar a sugerir pequenas mudanças de hábitos, até que inicia uma “revolução” contra a opressora diretora. Um dos três filmes em toda a história que levou os cinco principais Oscar, o filme de Forman se calca em três coisas: na excelente direção do checo Forman; o roteiro maravilhoso, um dos melhores e mais anarquistas da história do cinema; e as

excelentes atuações dos atores, incluindo Danny de Vito, Christopher Lloyd, Brad Dourif, William Redfield, Louise Fletcher, e, claro, pairando sobre todos, a perfeita e magnânima atuação de Jack Nicholson que, na minha opinião, é simplesmente a melhor atuação de todos os tempos.

Taxi Driver (1976) – 113 – Cor – Martin Scorsese – Este é simplesmente um dos filmes mais injustiçados da história do Oscar. Indicado a Melhor Filme, perdeu para “Rocky – Um Lutador”, um filme mediano, preocupado em mostrar a “garra americana”. “Taxi Driver” é muito mais do que um filme mediano, é um filme maravilhoso, encantador, perturbador, e, por incrível que pareça, engraçado. A ingenuidade de Travis Bickle – interpretado por Robert de Niro, em uma das melhores atuações da história do cinema – causa risos a quem assiste. Não apenas

ingenuidade está presente neste homem, mas também a revolta por assistir a tanta sujeira
em seu dia-a-dia e se sentir fraco, sem forças para fazer algo. É quando surge em sua vida uma prostitua jovem – Jodie Foster, no auge da adolescência e beleza – e uma oportunidade de fazer algo lhe aparece. Mais do que mostrar alguém que está preocupado com as torpezas do mundo, Scorsese mostrou a evolução da mente doentia de Bickle, um rapaz solitário, que passa suas noites de insônia em cinemas pornôs. A trilha sonora, última do mestre Bernard Herrmann antes de sua morte, é outro ponto forte do filme. Scorsese, tendo de brinde um De Niro mais doentio impossível, dirige uma obra-prima do cinema, apresentando, dessa forma, a sua interminável criatividade e genialidade presente na maioria de suas obras.

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977) - 93 min – Cor – Woody Allen - Primeiro filme da chamada "Trilogia de Manhattan", "Annie Hall", na minha opinião, é o filme mais inspi-

rado do baixinho. O seu ritmo é rápido, tenso, além de ser maravilhosamente engraçado. Foi o filme dele em que mais ri e é onde estão presentes as cenas mais hilárias e interessantes dele. Contando a história de um casal, seus problemas e desejos, Allen, com este filme, consegue evoluir das comédias pastelões que fazia anteriormente, para algo mais fluído e bem articulado. É com este filme que ele define o seu padrão de filmagem.

Manhattan (1976) – 96 min – Cor – Woody Allen – Um filme no qual Woody Allen declara seu amor por sua adorável cidade, Manhattan. Mas o filme não fala só dela, mas, como de costume, de relacionamentos amorosos que nunca dão certo. O personagem hipocondríaco-intelectual de Allen está presente. Maryl Streep, linda, também está. E em um filme que não se pode decidir se é comédia ou drama, Woody Allen destila toda sua genialidade e humor. Certamente, um de seus melhores e mais inspirados filmes.





quarta-feira, 6 de abril de 2011

Woody Allen também erra

Woody Allen é reconhecido por fazer excelentes comédias. Entretanto, não é só de comédias que ele vive. Filmes como "Crimes e Pecados", "Match Point" e "Memórias" são provas de que o baixinho também sabe fazer dramas. Animado e curioso, resolvi assistir "Interiores" e tentar decifrar porque a crítica o recebeu tão friamente.

O roteiro se resume aos conflitos de uma família. Três irmãs vêem o casamento de seus pais acabar. Com isso, a mãe começa a enlouquecer e os problemas começam a surgir. Tal separação faz que com as faíscas comecem a soltarem entre as três, mas principalmente entre Renata - Diane Keaton - e Joey - Mary Beth Hurt - , onde esta última inveja a primeira pelo fato de não possuir o mesmo talento.


Allen conseguiu criar o clima de tensão, mas não aproveitou-o. Inspirado em Bergman - me fazendo lembrar um pouco "Gritos e Sussurros" -, ele tentou construir um filme tal e qual o seu mestre: um filme que mostrasse os conflitos existentes entre as pessoas, chegando até o âmago de seus sofrimentos. Mesmo com o clima criado, o filme se tornou vazio, cerebral e "sem alma". Falta principalmente "alma" à ele, o quesito mais importante do filme.


Quanto à direção, o "coroa" é impecável. Sua câmera majoritariamente estática, com movimentos simples e alguns travellings, lembram perfeitamente a forma de filmar do sueco. Certas composições de cena, até os enquadramentos, tudo lembra Bergman. Nesse quesito, Allen foi excelente.

Infelizmente, ele acabou se perdendo ao construir diálogos desinteressantes, quebrando o bom clima que ele criara. Junto a isso, há um monte de atuações fracas, excluindo-se a de Keaton.

O conjunto filme cerebral + atuações fracas + roteiro ruim = filme fraco. Excetuando-se a direção de Allen, a única coisa que se salva. Se ao menos ele não houvesse deixado seu filme tão cerebral, e tivesse dado uma dose maior de emoção, com certeza poderia ter sido uma grande obra.


Obs.: As três atrizes que interpretam as irmãs são colocadas no filme para lembrar as irmãs de "Gritos e Sussurros". Kristin Griffith, Mary Beth Hurt e Diane Keaton representariam, respectivamente, Liv Ullman, Ingrid Thulin e Harriet Andersson. Posso até estar completamente errado, mas que eu vi alguma semelhança, isso eu vi.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Os 50 Melhores Filmes Que já Assisti



Já que fiz uma lista com os "50 piores", nada mais justo do que fazer outra com os "50 Melhores". Se bem que, daqui um mês, certamente essa lista já estará mudada. Seja porque assisti a outros filmes que achei merecido aparecer nela, ou mesmo porque mude de ideia quanto a outros filmes.

Por enquanto, a lista é essa:

1º Cidadão Kane (1941) - Orson Welles
2º O Poderoso Chefão (1972) - Francis Ford Coppola
3º Laranja Mecânica (1971) - Stanley Kubrick 
4º Persona (1963) - Ingmar Bergman
5º Oito e Meio (1963) - Federico Fellini
6º 2001:Uma Odisseia no Espaço (1968) - Stanley Kubrick
7º Taxi Driver (1976) - Martin Scorsese
8º Um Corpo Que Cai (1958) - Alfred Hitchcock
9º Psicose (1960) - Alfred Hitchcock
10º ... E O Vento Levou (1939) - Victor Fleming
11º Gritos e Sussurros (1972) - Ingmar Bergman
12º Crepúsculo dos Deuses (1950) - Billy Wilder
13º Amarcord (1974) - Federico Fellini
14º Fanny & Alexander (1982) - Ingmar Bergman
15º Touro Indomável (1980) - Martin Scorsese
16º O Poderoso Chefão 2 (1974) - Francis Ford Coppola
17º Aurora (1927) - F.W. Murnau
18º A Lista de Schindler (1993) - Steven Spielberg
19º Um Estranho no Ninho (1975) - Milos Forman
20º Intriga Internacional (1959) - Alfred Hitchcock
21º Janela Indiscreta (1954) - Alfred Hitchcock
22º Em Busca do Ouro (1925) - Charles Chaplin
23º Tempos Modernos (1936) - Charles Chaplin
24º Chinatown (1974) - Roman Polanski
25º As Vinhas da Ira (1940) - John Ford
26º Morangos Silvestres (1957) - Ingmar Bergman
27º A General (1927) - Buster Keaton
28º Rashomon (1950) - Akira Kurosawa
29º Ladrões de Bicicleta (1948) - Vittorio de Sica
30º Viridiana (1961) - Luis Buñuel
31º A Idade do Ouro (1930) - Luis Buñuel
32º Nascido para Matar (1987) - Stanley Kubrick
33º Apocalypse Now (1979) - Francis Ford Coppola
34º A Grande Ilusão (1937) - Jean Renoir
35º A Marca da Maldade (1958) - Orson Welles
36º Cantando na Chuva (1952) - Gene Kelly
37º A Felicidade Não Se Compra (1946) - Frank Capra
38º Três Homens Em Conflito (1966) - Sergio Leone
39º O Mágico de Oz (1939) - Victor Fleming
40º Pacto de Sangue (1944) - Billy Wilder
41º Rastros de Ódio (1956) - John Ford
42º O Grande Ditador (1940) - Charles Chaplin
43º Dersu Uzala (1975) - Akira Kurosawa
44º Os Caçadores da Arca Perdida (1981) - Steven Spielberg
45º Barry Lyndon (1975) - Stanley Kubrick
46º Anatomia de Um Crime (1959) - Otto Preminger
47º Quanto mais Quente Melhor (1959) - Billy Wilder
48º Amadeus (1984) - Milos Forman
49º Noites de Cabíria (1957) - Federico Fellini
50ºDepois do Vendaval (1952) - John Ford

Quanto à repetição de diretores - Hitchcock e Kubrick - nos dez primeiros, caso eu mudasse isso, a ordem seria dessa forma:

1º O Poderoso Chefão
2º Laranja Mecânica
3º Cidadão Kane
4º Persona
5º Oito e Meio
6º Taxi Driver
7º Um Corpo Que Cai
8º ... E O Vento Levou
9º Crepúsculo dos Deuses
10º Aurora




Entre o Sublime e o Absurdo

O cinema teve alguns cineastas que fizeram obras ditas "radicais". Nomes como Pasolini, Eisenstein, e mesmo o nosso querido Glauber Rocha, são alguns dos que colocaram questões políticas em suas películas. Uns, mais radicalmente, outros menos. Entretanto, ninguém foi mais corajoso e abusado do que o espanhol Luis Buñuel. Anarquista e ateu, seus filmes eram verdadeiras sátiras contra as instituições reacionárias, incluindo Igreja, nobreza e burguesia. Talvez, não haja melhor exemplo para isso do que "A Idade do Ouro", sua segunda obra e primeiro longa metragem.

Tal filme, realizado em 1930, e subsidiado pelo visconde de Noailles, conta a história de..... aí está: não há um enredo, propriamente dito. Não há uma história. O filme se parece mais com um livro de contos, e estes são passados em sequência. Buñuel disse que "a película trata de um amor jamais concretizado". (Fonte: Wikipédia) Pode ser, mas o sentido do filme não interessa. Quem tentar procurar sentido nos filmes do Buñuel, morrerá tentando.

"L'âge d'or" começa com um mini-documentário ambientado numa praia, onde os protagonistas são escorpiões. Anos depois, na mesma praia, há padres maiorquinos realizando um estranho culto. Em outro lugar, estão soldados estropiados, que caminham a duras penas para chegarem até esses padres. Desse ponto, o filme corta para a chegada de caravelas que vêm prestar homenagens a esses padres.

Não vou continuar a contar, pois não quero ser daqueles espíritos-de-porco que gostam de narrar o filme todo. Só por esse começo, dá para se perceber o quanto anárquico é sua estrutura de cenas. Uma passa para a outra, que, numa primeira olhada, não tem nada a ver com a primeira. Porém, se prestarmos atenção, acabaremos assimilando alguma ligação, mesmo que mínima, à cena anterior. É isso que torna o filme, a meu ver, genial. E mais, genial não só para a época, mas ainda para os tempos de hoje. O que Buñuel fez foi quebrar com os dogmas do cinema e construir uma obra única, atemporal e fantástica.

Em "A Idade do Ouro", "estavam patentes, de forma concentrada e intensíssima, todos os temas básicos que a sua obra posterior continuaria a refletir mais discretamente, mas com igual poder: o amor louco, o anticlericalismo, a rebeldia e inconformismo diante do estabelecido e do convencional, uma ânsia de transcendência, expressos em imagens oníricas e alucinantes, cheias de dureza, de corrosivo humor negro e de uma candura embriagante". (Fonte: Wikipedia) O filme deve ter chocado na época, e ainda pode chocar àqueles presos a dogmas. Pois Buñuel não respeita dogma nenhum; ele é curto, seco e grosso. Ninguém nunca fez - e com certeza não fará - uma obra tão poderosamente crítica e detonadora como "A Idade do Ouro". Numa possível definição, eu a daria dessa forma: uma miscelânea de quadros belamente surrealistas.





segunda-feira, 21 de março de 2011

O sadismo em suas últimas consequências



O nome do Marquês de Sade é ligado a tudo do mais baixo nível pelos conservadores e
bitolados. Para outros - como eu - ele se parece mais com um homemt mil anos-luz à frente de seu tempo - e do nosso também -, preocupado em derrubar toda e qualquer hipocrisia. "Saló ou Os 120 Dias de Sodoma" é uma de suas obras mais atacadas e proibidas em vários círculos literários. Foi esta obra que, audaciosamente, Pier Paolo Pasolini adaptou para o cinema.

Passado nos dois últimos anos da Segunda Guerra Mundial - 44-45 - , o filme conta a história de quatro burgueses fascistas, situados em Saló, que sequestram dezesseis jovens com o objetivo de aplicar neles as mais baixas e infames perversões sexuais e humilhantes - só para citar uma delas, todos os presentes, em uma das cenas, são obrigados a comerem nada mais nada menos do que fezes.

Pasollini, anticlerical e antifascista ferrenho, quis ligar a prática sádica levada ao extremo com o regime fascista, regime este que, autoritário como é, justifica os fins em si mesmo. Junto com o fascismo, a burguesia também caiu como luva no saco de pancadas.

Com belos enquadramentos, e uma direção clássica, Pasolini soube levar muito bem a película durante os 117 minutos de duração. Mesmo que seu filme possua várias partes com personagens completamente nus e insinuando cenas de sexo, o filme não excita em momento algum. Pelo contrário, ele causa repulsa, repugnância.

Certamente, "Saló" é um filme que foi um choque para a época, e ainda deva ser para quem pensa que irá assistir a um filme normal. Não o foi para mim, pois conhecia a obra e sabia mais ou menos o que iria passar. Nem entretanto senti repugnância das cenas. Em vez disso, dei boas risadas com essa dita repugnância e com as narrativas
hilárias das prostitutas. Nelas, eu percebia o humor essencialmente sarcástico de Sade. Também não vi terror nenhum durante todo o filme, como alguns apontam.

Liberado apenas atualmente nos EUA e Inglaterra - não vejo motivo pelo qual esconder esse filme -, "Os 120 Dias de Sodoma" não é para frescos. Ele é polêmico, nojento e engraçado. É uma obra radical, anárquica; um ode ao mau-gosto. Enxergado por outras lentes, é uma ácida crítica ao autoritarismo fascista, além de ser um belo filme para quem deseja assistir algo completamente fora dos padrões.