quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Filmes de Drama Para Se Ver Antes de Morrer - Década de 90



Os Bons Companheiros (1990) - 145 min – Cor – Martin Scorsese - Um dos melhores filmes de Scorsese, "Goodfellas" conta a história de um mafioso que sempre quis uma coisa na vida: ser mafioso. Ele mesmo conta sua história, quando desde a adolescência fazia pequenos "favores" aos mafiosos, e com isso, foi ganhando a confiança deles. Já adulto, ele entra para a turma de mafiosos e tem a companhia de dois amigos inseparáveis. E é calcado principalmente nas aventuras e desventuras desses três personagens que Scorsese destila toda a sua maestria, contando com atuações maravilhosas de Ray Liotta, Robert de Niro e Joe Pesci, este último tendo sido laureado com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Um dos maiores clássicos dos Anos 90.

Lanternas Vermelhas (1991) - 125 min – Cor – Zhang Yimou

O Silêncio dos Inocentes (1991) - 118 min – Cor – Jonathan Demme – Neste que talvez seja o melhor filme da década, Anthony Hopkins e Jodie Foster, com a ajuda da direção competente de Demme, simplesmente levam o filme. Sem apelar para o lado sanguinário, Demme constrói uma obra-prima cheia de tensão e cria um dos personagens mais fortes da história do cinema: o serial killer Hannibal Lecter. Para se ter medo dele, é apenas preciso que se olhe para ele. Conversar com este homem, mesmo protegido por vidros à prova de bala, pode ser perigoso. Não é só com armas – ou dentes – que ele pode lhe atingir. Ele pode muito bem lhe torturar impiedosamente com sua mente poderosa. Um dos três filmes que ganharam os cinco Oscar mais importantes, “The Silence Of The Lambs” é um filme brilhante.

Adeus Minha Concubina (1993) - 171 min – Cor – Kaige Chen

O Piano (1993) - 121 min – Cor – Jane Campion

A Lista de Schindler (1993) - 197 min – P&B – Steven Spielberg – Na minha opinião, o melhor filme de Spielberg e forte candidato a melhor filme a década. Acostumado a dirigir excelentes filmes de entretenimento, vez ou outra Spielberg prova que também pode fazer filmes mais profundos. O filme, baseado no livro homônimo, conta a história de Oscar Schindler, um nazista que ajuda judeus a fugirem dos centros de concentração, contratando-os para suas fábricas. Mas o filme não só conta o heroísmo de um predestinado homem. Ele também mostra os horrores da guerra. Com uma belíssima fotografia e imagens tocantes, “Schindler’s List” é um dos filmes mais emocionantes da história do cinema.

Um Sonho de Liberdade (1994) - 142 min – Cor – Frank Darabont – Baseado em um dos quatro contos do excelente livro “As Quatro Estações”, de Stephen King, este filme tocante conta a história de Andy Dufresne, que acaba indo para a prisão por matar sua mulher, algo que sempre jurou nunca ter feito. Obstinado, ele nunca perde a vontade de fugir do presídio. Com atuações brilhantes de Tim Robbins e Morgan Freeman, o filme é uma bela demonstração de alguém que nunca desiste de seu objetivo, e que fará de tudo para consegui-lo, mesmo que tudo e todos tentem ir contra isso.

Cortina de Fumaça (1995) - 112 min – Cor – Wayne Wang, Paul Auster

Transpotting (1996) - 94 min – Cor – Danny Boyle

O Paciente Inglês (1996) - 160 min – Cor – Anthony Minghella

Central do Brasil (1998) - 113 min – Cor – Walter Salles – Um belo filme, com uma atuação espetacular de Fernanda Montenegro, primeira atriz brasileira indicada ao Oscar. A história de uma escritora de cartas, que certo dia resolve criar um menino que perde sua mãe num acidente, emocionou e continuará a emocionar toda vez que assisti-lo. Um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

Tudo Sobre Minha Mãe (1999) - 101 min – Cor – Pedro Almodóvar

Clube da Luta (1999) – 139 min – Cor – David Fincher – Um excelente filme, muitas vezes apontado pelos mais jovens como o melhor filme já visto. Exageros à parte, este filme é feito para um geração mais nova. Narrando sua própria história, o protagonista mostra como sua vida é vazia. Como não tem sono, é obrigado a passear pelos variados centros de ajuda, até que encontra Tyler Durden, que muda completamente sua vida. Com um roteiro fenomenal, que mexe até anarquismo, e com um final excepcional e inesperado, “Clube da Luta” é um filme cheio de tensão, ação e, acima de tudo, diversão.



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Heavy Metal Comédia



Preconceitos à parte, gosto muito do Massacration. Disse "preconceitos à parte" porque muita gente que gosta de rock odeia o Massacration, pois eles zoam os metaleiros. Mas eles próprios gostam de heavy metal! E melhor, fazem heavy metal! Digam o que quiserem, mas que eles são bons, isso é. E o seu álbum de estreia, "Gates of Metal Fried Chicken of Death" - algo como "Portões do Metal da Morte do Frango Frito", acho eu - já
prova isso.

A fórmula composições pesadas + letras engraçadas fez sucesso entre diferentes grupos de adoradores da música, já que até quem não é roqueiro acaba gostando da palhaçada da banda.


Destaques para"Metal is the Law" - cuja letra mostra as regras básicas de como se tornar um metaleiro - , "Metal Massacre Attack (Aruê Aruô)", "Metal Milkshake", "Cereal Metal", "Metal Glu-Glu - com a participação especial de Sergio Malandro - , e, é claro, a clássica "Metal Bucetation". Além dessas, há uma música chamada "The God Master", em que o saudoso e finado Costinha conta três piadas muito engraçadas - ; e a sinistra-estilo-Black-Sabbath "Away Doom", calcada numa base pesada junto às lamentações do famoso Away.

Para além de todos os preconceitos patéticos de certos metaleiros, este é um álbum criativo, em que há uma misturada sinistra de inglês com português que acaba dando certo. Os vocais agudíssimos do vocalista Bruno Sutter, o Detonator acertam-se muito bem com as guitarras pesadas de Fausto Fanti, o Blondie Hammet, e com a cozinha competente do baixista Marco Antônio, o Metal Avenger e o batera Nando Lima, o Straupelator.

Caricatos e bons de música, esse é o Massacration. E ponto final.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Recortes filmográficos


Filme: Patton: Rebelde ou Heroi?

Diretor: Franklin F. Schaffner

"Patton", talvez um dos dez melhores filmes de guerra, possui um dos personagens mais complexos da história do cinema: o general George S. Patton, interpretado de forma perfeita por George C. Scott; interpretação essa que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator em 1971. Rude e ao mesmo tempo engraçado, Patton destila sua língua desenfreada por todo o filme, conseguindo, ao mesmo tempo, que nos faça simpatizar e antipatizar. Eis algumas de suas melhores passagens:

"
O que o senhor acha do Marrocos, senhor Patton?
Uma mistura da Bíblia... com Hollywood.

Doutor, onde está o seu capacete?
Eu não uso quando trabalho.
Pois comece.
Eu não posso usar o estetoscópio usando o capacete.
Então faça dois buracos nele para usálo.

Isto é um quartel, não um bordel!

Essa carta veio de Alexander. Está dizendo para não tomar Palermo.
Mande-lhe uma mensagem: pergunte-lhe se quer que eu a devolva.

Não quero que os soldados me amem; quero que lutem por mim!

Oh!, lá vai ele; sangue e coragem!
Eh... nosso sangue e sua coragem.

Não fique sorrindo, Patton; eu não vou beijar você.
Que pena! Fiz a barba bem rente exatamente preparada para o seu beijo.

Aonde vai general?
Berlim. Eu quero matar pessoalmente aquele pintor de paredes.

Toda glória desvanece".


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Odisseia Moderna

"Ee Gh: és gagá"

Confesso que ainda estou um pouco mortificado e confuso após ter lido "Ulysses", do autor irlandês James Joyce. Há quase três meses, embarquei numa verdadeira aventura, e mais do que tudo, num grande desafio de ler esta obra. Sempre ouvi falar que era um dos livros mais complexos de toda a história da literatura. Bem, depois de ter lido, acho que quem disse isso estava correto.

"Ulysses", escrito entre 1914-21, conta a história de um dia - 17 de Junho de 1904, uma quinta-feira - da vida de Leopold Bloom, o Ulisses da Odisseia moderno. Só que este é um homem comum, mas muito atormentado por dentro. Joyce nos mostra suas estadas por vários lugares, desde o seu desjejum. Começando por ir a um enterro de seu amigo, ele vai passando por diferentes lugares, de bibliotecas a tavernas, passando por bordeis e hospitais. Que fique claro que não entreguei nada, pois tais lugares estão presentes no roteiro do livro.

Entre as oito da manhã e as duas da madrugada, nos é apresentado, de forma surreal e divertida, todos os conflitos do aparentemente normal. Leopold Bloom. Temos a oportunidade de ver
também um pouco da vida de Stephen Dedalus, um jovem estudioso com sérios problemas com os pais. Li em algum lugar que Bloom representaria um Joyce mais velho e responsável; já Dedalus, seria a versão mais nova de Joyce, em seus vinte anos, quando ainda era inconsequente e irresponsável.

Agora fica a pergunta: por que considero "Ulysses" uma das maiores, senão a maior obra-prima de todos os tempos da literatura? Primeiramente, a revolução que Joyce produziu com o seu livro no mundo da escrita. Seu texto, totalmente surreal e aparentemente sem um nexo principal, nunca tinha sido feito antes. Segundo, as várias e várias formas de linguagem que ele destila em seu livro, tais como: trocadilhos, neologismos e jogos de palavras. Terceiro, a quantidade de citações e referências históricas e literárias, tornando o livro sofisticado e ao mesmo tempo mais complicado ainda. Terceiro, a descrição de certos aspectos fisiológicos do ser humano, o que levou o livro a ser proibido em alguns países. Ele, com seu linguajar despojado e não economizando palavrões, antecipa D.H. Lawrence e seu "Lady Chatterley" em alguns anos. Quarto, e o que mais me fascinou, foi o seu extraordinário tato para o humor.
Em algumas partes, você simplesmente tem que gargalhar por um bom tempo. "Ulysses" foi o livro que mais me fez rir, com certeza.

Em meio a tantos adjetivos, alguns podem reclamar que a obra seja demasiada longa, truncada e complexa. Ainda mais a versão que li, traduzida por Houaiss, em 66. Tendo-se paciência, tempo e calma, a leitura deste livro torna-se agradabilíssima. E de quebra, tem-se a chance de se ler um dos livros mais revolucionários, mais engraçados e mais bem-escritos livros de todos os tempos. James Joyce e seu "Ulysses" foram um marco não só para o Modernismo em voga na época, mas para a história da literatura em geral. Fica parecendo que tudo o que era possível se fazer numa obra de arte, Joyce o conseguiu, quebrando todas as barreiras do possível para a literatura.

Os 50 Maiores Clássicos do Rock'n Roll

Baseando-se em algumas listas feitas, e em meu próprio gosto - pois tais listas quase que ignoram bandas de heavy metal - montei o que seriam os 50 Maiores Clássicos da História do Rock. Foi a tal lista que meu pequeno conhecimento chegou:

1) Stairway to Heaven - Led Zeppelin

2) Smoke on the Water - Deep Purple

3) Back in Black - Ac/Dc

4) Paranoid - Black Sabbath

5) Anarchy in the U.K. - Sex Pistols

6) (I Can't Get No) Satisfaction - The Rolling Stones

7) Smells Like Teen Spirit - Nirvana

8) Hey, Jude - The Beatles

9) Light my Fire - The Doors

10) Blowin' the Wind - Bob Dylan

11) Bohemian Rhapsody - Queen
12) Heartbreak Hotel - Elvis Presley
13) Hey, Joe - The Jimi Hendrix Experience
14) My Generation - The Who
15) Johnny B. Good - Chuck Berry
16) Another Brick in the Wall - Pink Floyd
17) In My Life - The Beatles
18) Iron Man - Black Sabbath
19) Layla - Eric Clapton
20) Have You Ever Seen The Rain - Creedence Clearwater Revival
21) Blitzkrieg Bop - Ramones
22) Hotel California - The Eagles
23) God Save the Queen - Sex Pistols
24) Black Dog - Led Zeppelin
25) Jailhouse Rock - Elvis Presley
26) London Calling - The Clash
27) Sympathy for the Devil - The Rolling Stones
28) The End - The Doors
29) Sunshine Of Your Love - Cream
30)A Day in Life - The Beatles
31) Like a Rolling Stone - Bob Dylan
32) Born to Run - Bruce Springsteen
33) Free Bird - Lynyrd Skynyrd
34) Eruption - Van Halen
35) Help! - The Beatles
36) War Pigs - Black Sabbath
37) One - Metallica
38) Purple Haze - The Jimi Hendrix Experience
39) Whole Lotta Love - Led Zeppelin
40) Confortably Numb - Pink Floyd
41) Sweet Child O' Mine - Guns'n Roses
42) The Number of the Beast - Iron Maiden
43) Sweet Home Alabama - Lynyrd Skynyrd
44)Enter Sandman - Metallica
45) Highway Star - Deep Purple
46) Tom Sawyer - Rush
47) Fortunate Son - Creedence Clearwater Revival
48) We are the Champions - Queen
49) No Fun - The Stooges
50) Wish You Were Here - Pink Floyd

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Maior Enganação da História do Cinema de Terror

Filmes de terror são os meus preferidos. Pode não parecer, mas é. São os filmes deste gênero, apesar de não serem os melhores, os que mais me animam. Não sou tão rigoroso na hora de avaliar um horror-movie. Do que precisa filme de terror para me agradar? Na minha opinião, principalmente, que se tenha uma história emocionante e instigante, que crie um clima de tensão desde o início até o final do filme. Se ele possuir isso, passou no teste. Se não, aí complica. “Criar um clima” foi algo que “A Hora do Pesadelo” não soube de jeito nenhum.

De jeito nenhum foi maneira de falar, pois em três momentos – em duas das mortes e na sequência final – o filme consegue te deixar tenso. Mas apenas três momentos num filme de 91 minutos é muito pouco. Todo filme que se preze deve deixar o espectador ansioso, angustiado, querendo saber o que vai acontecer depois. E nisso o filme falha terrivelmente: em vez de passar rápido como um foguete, ele demora, demora e demora, parecendo que nunca vai acabar.

“A Nightmare On Elm Street” conta a conhecidíssima história de Freddy Krueger, um pedófilo que, solto pelas autoridades, acaba sendo queimado vivo por alguns vizinhos do bairro, revoltado com a impunidade cometida. Estes não esperavam que o mesmo ressuscitasse dos mortos e passasse a habitar os sonhos de seus filhos adolescentes. Não bastando isso, ele tem o poder de assassinar as pessoas, pois o “mundo dos sonhos” havia se tornado o seu mundo. Já nessa prévia, vê -se uma ideia muito criativa. E é, vendo-se de longe. “A Nightmare On Elm Street” é daqueles filmes que tinham tudo pra ser bom, e acabam não sendo. Por vários motivos.Primeiro, o roteiro é fraco. Embora baseado em um bom argumento, é recheado de diálogos altamente descartáveis, que só servem para nos desprender da história, tornando o filme chato e sonolento. Segundo, os atores são muito ruins! É uma atuação pífia atrás da outra. Terceiro, o senhor- tão- comentado- diretor- de- filmes- de- terror Wes Craven, não soube, durante 90% do filme, criar um clima de filmes de terror, o que é essencial em uma película de tal gênero. Quarto, o Freddy aparece muito pouco, e quando o faz, é de uma forma tão tosca, que mais nos dá graça do que medo. Quando Craven pensa nos assustar, estamos rindo dele.

Assistir a “A Hora do Pesadelo” foi algo extremamente decepcionante, pois esperava que fosse o clássico de terror que todos tanto comentam. O que vi foi um filme forçado, que não assustou em hora nenhuma e só valeu umas poucas boas risadas. Nem se se usasse a desculpa de que fosse trash adiantaria, pois um filme de tal gênero é bem melhor do que esse filme fraco e sem graça. Kruger deveria aprender a matar com Michael Meyrs; Craven deveria aprender a dirigir com Carpenter ou mesmo Argento. Dessa forma, talvez ele tivesse se saído bem melhor.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quando a moral não tem vez

Marquês de Sade. Para muitos, esse nome é símbolo de tudo o que há de corrupto, sujo e indecente numa pessoa. Para outros, como eu, um exemplo de um homem atemporal, infinitamente a frente de sua época, e por que não, ainda mesmo da época atual. Sua enorme incompreensão até os dias de hoje demonstra isso.

Mesmo muito conhecido, Sade é pouco lido. E muitíssimo menos lido é esse "A Filosofia na Alcova". Neste livro, encontrei o Sade na forma que esperava: um crítico imperdoável e mordaz de valores retrógrados como a religião, a nobreza, o moralismo e todo o pudor hipócrita e besta da sociedade.

Calcando-se em uma prosa atraente e fluida, composta apenas de diálogos, Sade nos mostra como três pervertidos natos tentam - e aos poucos conseguem - converter uma garota ingênua, na flor da idade, numa perfeita meretriz, ou seja, numa puta, destruindo todos os ensinamentos errados que havia recebido de sua mãe.

Através de seus personagens, o Marquês destila os seus pontos de vista, atacando todo o tipo de hipocrisia, seja ela religiosa, moral ou política. Mesmo que em algumas partes ele caia no "discursismo", o Marquês consegue chegar a seu objetivo: destruir todo o tipo de falso ou verdadeiro moralismo que possa existir.

Dedicado aos "voluptuosos de todas as idades e de todos os sexos", como Sade diz em seu prólogo, "A Filosofia na Alcova" posssui diálogos poderosos, o que mantém o livro hilário em sua maior parte. É com maestria que o Marquês consegue destilar todo o seu saudável deboche de forma sadia, e claro, menos pornograficamente impossível.