sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ran Trailer - Akira Kurosawa

Raging Bull Trailer

Filmes de Drama Para Se Ver Antes de Morrer - Década de 80

O Homem Elefante (1980) - 124 min – P&B – David Lynch
  • Touro Indomável (1980) - 129 min – P&B – Martin Scorsese – Outra obra-prima de Scorsese, esse filme, que relata a história do lutador Jake La Motta, é um dos melhores da história. Com uma das melhores atuações de De Niro – que engordou quase trinta quilos para fazer o papel - , uma direção perfeita, com direito a socos brutais que arrancavam sangue aos borbotões, “Ranging Bull” só não ganhou todos os Oscar a que foi indicado porque a Academia preferiu dar os prêmios, mais uma vez, a outro filme que falasse sobre a vontade americana de vencer nas coisas. Novamente, uma lástima contra Scorsese, um dos maiores mestres do cinema em matéria de direção.

    Fanny e Alexander (1982) - 188 min – Cor – Ingmar Bergman – Para quem havia achado que Bergman já dera tudo de si ao cinema, esta obra veio para provar, definitivamente, que não. Bergman, com este filme meio que autobiográfico, mostra a história de um casal de irmãos – Fanny e Alexander – e suas vidas, que se tornam turbulentas após a morte de seu pai. Ganhador de quatro Oscar, “Fanny e Alenxander” demonstra a perfeição com que poucos diretores como Bergman podem fazer um filme.

    Laços de Ternura (1983) - 132 min – Cor – James L. Brooks

    Era Uma Vez na América (1983) - 227 min – Cor – Sergio Leone

    Amadeus (1984) – 160 min – Cor – Milos Forman – Laureado com 8 Oscar, inclusive o de Melhor Filme, Ator e Diretor, este é um dos mais belos filmes que já vi. O filme narra a história de ninguém mais ninguém menos do que Wolfang Amadeus Mozart, um dos maiores mestres da música clássica. Com uma trilha sonora responsável por minha “conversão” ao gosto da música clássica, direção perfeita, e atuações impecáveis de F. Murray Abraham e Tom Hulce, “Amadeus” é um filme inesquecível.

    Ran (1985) - 160 min – Cor – Akira Kurosawa – O épico de Akira Kurosawa, inspirado em “Rei Lear”, de Shakespeare e "transferido" para o Japão da Idade Média, prima pela beleza e violência, com algumas das cenas mais inesquecíveis da história do cinema. Uma história cheia de traições, guerras e tristezas.

    A Rosa Púrpura do Cairo (1985) - 84 min – Cor – Woody Allen – Buscando influências em Buster Keaton e seu “Sherlock Jr.”, Woody Allen cria um de seus melhores filmes, misturando, em sua excelência como diretor, surrealismo, humor e drama, ao contar a história de uma mulher, casada com um marido-monstro, que vai constantemente ao cinema tentar esquecer sua realidade. Num dado momento, o personagem principal de um filme que ela sempre vê resolve sair da tela para conversar com ela. É nesse clima de “absurdo” e magia que a história se desenvolve, proporcionando, ao mesmo tempo, risos e lágrimas.

    Hannah e Suas Irmãs (1986) - 103 min – Cor – Woody Allen

    O Decálogo (1988) - 53 min – Cor - Krzysztof Kieslowsk

    Crimes e Pecados (1989) - 107 min – Cor – Woody Allen – Buscando, geniosamente, influências em “Morangos Silvestres”, de Bergman, Woody Allen constrói um filme encantador, dirigindo-o com a mesma maestria de seu mestre, usando-se, inclusive, do fotógrafo exclusivo do sueco. Muitíssimo mais que apenas um plágio, Allen utiliza-se da influência de seu diretor preferido para construir um drama cheio de poder e tensão, desde o primeiro minuto até o aparecimento dos créditos finais. Um filme amargo, cheio de traições e coisas mal-resolvidas. E o mais importante, uma obra-prima impecável.

    Faça a Coisa Certa (1989) - 120 min – CorSpike Lee – Num dos melhores filmes da década, Spike Lee conta a história de seu bairro, um lugar quente, efervescente, onde se encontra todo tipo de gente: negros, brancos, coreanos, mexicanos, chineses, italianos, e o diabo a quatro. É neste inferno que se conta a história de um entregador de pizza, e a de seus vizinhos, entre eles seu patrão e os dois filhos, sua mulher, e várias outras criaturas muito interessantes. Com uma direção espetacular, Spike Lee mostra a convivência conturbada de diferentes pessoas, de diferentes classes, cores e origens, que um dia qualquer podem acabar se confrontando, e talvez, desse confronto, as coisas não resultem muito bem.


terça-feira, 21 de junho de 2011

Network (1976) movie trailer

Digressões sobre a TV

"Nós não somos uma rede respeitável. Somos uma rede prostituta. Temos que pegar o que conseguirmos!"

Eu odeio TV. É fácil falar isso diante de um notebook, onde gasto, pelo menos, duas horas diárias clicando em várias coisas, perdendo meu tempo. Posso até odiar a TV, mas tenho de admitir que também sou uma vítima. Muitos não conseguem admitir, tamanho vício já lhes está entranhado. Minha mãe mesmo não vive sem a TV e suas santas - ou seriam malditas? - novelas. Não só ela, mas bilhões de pessoas não vivem sem suas TV's. Elas fazem parte do seu dia; fazem parte da sua vida; fazem parte de seus corpos.

"Rede de Intrigas" é um ótimo catalizador desse vício que toma conta das pessoas. O filme fala do âncora de jornalismo Howard Beale - interpretado pelo ganhador do Oscar Peter Finch - que, após ser demitido devido à baixa audiência de seu telejornal, entra em colapso mental. Aproveitando-se disso, Frank Hackett - Robert Duvall - e Diana Christensen - Faye Dunnaway, também ganhadora do Oscar - que trabalham na emissora de Beale, percebem que podem usá-lo como uma espécie de "profeta do apocalipse", transmitindo aos vários corações americanos enraivecidos de que eles "estão loucos como o diabo e não irão aguentar mais". Quem não concorda com isso é Max Schumacher, amigo de Beale, que não vê nada de bom nessa baboseira toda.

Permeado por um roteiro fenomenal e atuações fantásticas, "Network" mostra muito bem o quão a TV tornou as pessoas bestializadas, ou, como Beale disse em um de seus delírios apocalípticos, tornou-as "humanoides". Mostra também como um canal de televisão não se importa nem um pouco em usar de todas as armas para que sua audiência aumente. Nem que seja necessário usar profetas loucos, gênios adivinhadores, e outras porcarias mais. Nada interessa a não ser a audiência.

Sdiney Lumet, com a ajuda das perfeitas atuações de Finch e Dunaway, consegue construir uma crítica ácida e sem pena sobre a banalidade da Televisão, que não se preocupa nem um pouco ao mostrar uma notícia de morte ao lado de uma propaganda de cerveja. A TV é podre e fede; tudo que ela toca é destruído, como diz Max.

Vencedor de quatro Oscar - Melhor Ator (Peter Finch), Melhor Atriz (Faye Dunaway), Melhor Atriz Coadjuvante (Beatrice Straight) e Melhor Roteiro Original, "Network" é um dos mais notáveis e críticos filmes dos Anos 70. Sdiney Lumet, com sua costumeira competência, construiu, com seu filme, uma poderosa metáfora da banalização causada pela TV, que parece mais atual hoje do que quarenta anos atrás. Se as coisas já eram de tal forma preocupantes naquele tempo, o que diria Lumet hoje?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Da série: "Imagens que assustam":


Suspíria, Dario Argento, 1977

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Porque ser comum é chato

Tenho uma grande desconfiança pelos filmes dos Anos 90 em diante. Obviamente a década de 90 ainda foi rica em filmes bons, mas já estava em franca decadência. Os Anos 2000 foram a derrocada final! Mesmo assim, alguns filmes ainda se salvavam. E "Beleza Americana" foi um deles.

"American Beauty", estrelado por Anette Bening e Kevin Spacey, conta a história de uma aparente feliz família americana, no melhor estilo "American Way Of Life". Na verdade, entre quatro paredes, a filha odeia os pais e estes vivem brigando entre si e vivendo uma existência vazia, sem amor ou compreensão.

Como em "Crepúsculo dos Deuses", sabemos qual será o futuro do protagonista: ele morrerá. Enquanto isso, conta como foi o último ano de sua vida, a irritante tranquilidade como que levava sua vida medonha, sem nenhuma perspectiva de melhora. Ele é apenas um americano comum que, disfarçado da carapuça de cidadão bem-sucedido, vive na mesquinhez de uma existência sem sentido, permeada por várias complicações: sua mulher só se interessa por coisas fúteis, sua filha não quer conversar com ele, trabalha há 14 anos no mesmo emprego medícore. E isso não é tudo. As coisas só tendem a piorar.

Mais do que uma simples história de um homem mal-sucedido que tenta buscar uma razão para viver, este filme é uma reflexão sobre como a rotina e a forma como levamos a vida acaba destruindo-a, acabando com nossos sonhos. Nos tornamos vazios, apáticos. Não vivemos, e sim, deixamos que a vida acabe nos levando, levando, até que chega um ponto em que nos perguntamos: peraí, será que estou mesmo vivendo? Ou apenas fingindo?
Mais que apenas reflexões filosóficas, "Beleza Americana" é um filme brilhante, que consegue encantar desde o primeiro minuto, e não perde o ritmo até o aparecimento dos créditos finais. Calcado numa ótima direção e numa trilha sonora fabulosa, ele ainda consegue propiciar atuações primorosas de Anette Bening e, principalmente, Kevin Spacey, ganhador do Oscar de Melhor Ator em 2000 e um dos melhores atores atuais. Seja qualquer papel que faça, desde um serial killer até um pacato cidadão, tenha-se a certeza de que ele o fará magnificamente bem.

"American Beauty" é um filme que se deve ver várias e várias vezes. Ele não cansa. E desafio quem não fizer uma reavaliação de sua vida após tê-lo assistido. E depois dessa reavaliação, descobrir que, mesmo com tanta coisa ruim no mundo, existem coisas belas que podem tornar nossas existências mais prazerosas.